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⚙️ Tópico XV — Mercados derivativos: produtos, modalidades operacionais e liquidação

Peso e exigência

São 12 das 80 questões no exame de certificação (15 %), com mínimo de 50 % de acerto exigido nesse eixo, e o tópico permanece marcado na recertificação. É o conteúdo mais técnico da prova e o que mais se esquece em cinco anos de atividade.

Os quatro mercados

A termo: compra e venda com liquidação em data futura a preço fixado hoje; na B3, o termo de ações exige cobertura ou margem e admite liquidação antecipada por iniciativa do comprador.

Futuro: contrato padronizado, negociado em bolsa, com ajuste diário de perdas e ganhos e margem de garantia depositada na câmara. Principais contratos: índice Ibovespa (IND e WIN), dólar (DOL e WDO), DI de um dia (DI1), boi, milho, café e soja.

Opções: o titular paga prêmio e adquire direito; o lançador recebe prêmio e assume obrigação, com depósito de margem quando descoberto. Call e put; estilo americano e europeu; dentro, no e fora do dinheiro; valor intrínseco e valor tempo. Estratégias clássicas: financiamento, ou venda coberta, trava de alta e trava de baixa.

Swap: troca de fluxos financeiros, tipicamente registrada em balcão organizado; a ponta ativa e a ponta passiva definem o resultado.

Participantes e função econômica

O hedger transfere risco, o especulador assume risco em busca de retorno e dá liquidez, o arbitrador explora distorções de preço entre mercados. Sem especulador não há contraparte para o hedger.

Garantias e liquidação

A câmara da B3 atua como contraparte central garantidora, exige margem, chama margem adicional e executa a posição do inadimplente. O ajuste diário do mercado futuro é liquidado financeiramente em D+1.

Tributação

Operações comuns em bolsa: 15 % sobre o ganho líquido mensal, com retenção na fonte de 0,005 %; day trade: 20 %, com retenção de 1 % sobre o rendimento. O recolhimento é feito pelo próprio investidor por DARF até o último dia útil do mês seguinte. Não há isenção de R$ 20 mil para derivativos.

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Questões de amostra (35)

1. Derivativo é um instrumento cujo valor:

  1. é fixado pela câmara de compensação da bolsa
  2. deriva do preço de um ativo subjacente
  3. corresponde ao patrimônio líquido do emissor
  4. é definido pelo Banco Central em cada vencimento

O contrato não tem valor próprio: ele reflete ações, índices, moedas, juros ou commodities. A câmara da B3 garante a liquidação e exige margem, mas não fixa o preço do contrato.

2. São mercados derivativos clássicos:

  1. primário, secundário, organizado e de balcão
  2. a vista, a termo, de balcão e de bolsa
  3. a termo, futuro, de opções e de swap
  4. spot, forward, escritural e nominativo

Os quatro mercados diferem pela padronização, pelo ajuste diário e pela natureza do direito ou da obrigação criada, e cada um exige tratamento distinto de garantias.

3. O hedger utiliza derivativos para:

  1. transferir risco de uma posição que já possui
  2. obter ganho com a variação de preços
  3. explorar distorções entre mercados correlacionados
  4. garantir rentabilidade mínima da carteira

A proteção neutraliza total ou parcialmente a exposição existente, ao custo de abrir mão do ganho no cenário favorável. Quem busca retorno assumindo risco é o especulador.

4. O especulador cumpre qual função econômica no mercado de derivativos?

  1. Fiscalizar as operações realizadas em bolsa
  2. Garantir a liquidação financeira das operações
  3. Fixar o preço de referência dos contratos futuros
  4. Dar liquidez, assumindo o risco que o hedger quer transferir

Sem contraparte disposta a assumir risco, o hedger não conseguiria se proteger. A garantia da liquidação é função da câmara da B3, e o preço se forma no livro de ofertas.

5. O arbitrador atua:

  1. protegendo posições físicas com contratos futuros
  2. assumindo risco direcional em busca de retorno
  3. explorando diferenças de preço entre mercados ou vencimentos
  4. registrando operações no sistema da entidade administradora

A arbitragem tende a eliminar as próprias distorções que explora, o que contribui para a convergência de preços entre o mercado a vista e o futuro.

6. No contrato a termo, as partes acordam:

  1. compra e venda com liquidação futura a preço fixado hoje
  2. o direito de comprar mediante pagamento de prêmio
  3. o ajuste diário de perdas e ganhos até o vencimento
  4. a troca de fluxos financeiros em datas predeterminadas

A liquidação diferida sem ajuste diário é o que distingue o termo do futuro; direito mediante prêmio caracteriza a opção e troca de fluxos, o swap.

7. No termo de ações da B3, o comprador pode:

  1. cancelar o contrato unilateralmente até o vencimento
  2. exigir a entrega do ativo antes do vencimento sem custo
  3. transferir a obrigação a terceiro sem anuência da câmara
  4. liquidar antecipadamente por sua iniciativa

A antecipação é faculdade do comprador e não altera o valor devido ao vendedor, que continua a receber o preço contratado no vencimento original.

8. A garantia exigida do comprador a termo pode ser:

  1. dispensada para investidores qualificados
  2. cobertura com ativos ou depósito de margem
  3. substituída por seguro contratado pela corretora
  4. limitada ao valor da corretagem paga na operação

A câmara da B3 calcula a exigência conforme o risco da posição e aceita ativos elegíveis como margem, sem qualquer dispensa por enquadramento do investidor.

9. Uma ação vale R$ 40,00 a vista e o termo de 60 dias sai a R$ 41,20. Qual a taxa do período?

  1. 1,2 %
  2. 3 %
  3. 2 %
  4. 0,3 %

A diferença de R$ 1,20 sobre R$ 40,00 corresponde a 3 % no período de 60 dias, taxa que remunera quem financia a operação de caixa com termo.

10. O contrato futuro difere do termo principalmente por:

  1. ser padronizado e ter ajuste diário
  2. ser negociado apenas em balcão organizado
  3. não exigir depósito de margem de garantia
  4. permitir apenas liquidação por entrega física

A padronização permite negociar em bolsa com contraparte central, e o ajuste diário liquida o resultado a cada pregão, reduzindo o acúmulo de risco de crédito.

11. O ajuste diário no mercado futuro consiste em:

  1. recalcular a margem de garantia depositada
  2. liquidar financeiramente ganhos e perdas a cada pregão
  3. corrigir o preço do contrato pela inflação do dia
  4. transferir a posição para o vencimento seguinte

A liquidação diária impede que perdas se acumulem até o vencimento e é o que torna viável a garantia prestada pela câmara da B3; ela é liquidada financeiramente em D+1.

12. O ajuste diário do mercado futuro é liquidado em:

  1. D+1
  2. D+2
  3. D+4
  4. D+5

O crédito ou débito ocorre no dia útil seguinte ao pregão, ao passo que o mercado a vista de ações liquida em dois dias úteis pela mesma câmara.

13. A margem de garantia no mercado futuro serve para:

  1. cobrir o risco de inadimplência do participante
  2. remunerar a corretora pela intermediação
  3. garantir o lucro mínimo da operação
  4. substituir o pagamento do ajuste diário

A câmara da B3 calcula a margem pelo risco da posição e pode exigir reforço quando a exposição cresce; ajuste diário é liquidação de resultado, e não garantia.

14. Principais contratos futuros negociados na B3 incluem:

  1. cotas de fundos imobiliários e ETFs
  2. debêntures, CRI e CRA de securitizadoras
  3. índice Ibovespa, dólar e DI de um dia
  4. letras financeiras e certificados de depósito bancário

Índice, moeda e juros formam o núcleo do mercado futuro brasileiro, ao lado de commodities agropecuárias como boi, milho, café e soja.

15. O contrato mini de índice, conhecido como WIN, caracteriza-se por:

  1. ter tamanho reduzido em relação ao contrato cheio
  2. ser negociado apenas por investidores institucionais
  3. dispensar depósito de margem de garantia
  4. ter liquidação exclusivamente por entrega física

Os minicontratos foram criados para dar acesso ao investidor pessoa física, com exigência de margem proporcionalmente menor, mantendo a mesma mecânica de ajuste diário.

16. Um investidor comprou 2 contratos futuros de índice a 130.000 pontos e o ajuste do dia saiu a 130.500. Com ponto a R$ 1,00, qual o ajuste?

  1. Crédito de R$ 261.000,00
  2. Débito de R$ 1.000,00
  3. Crédito de R$ 500,00
  4. Crédito de R$ 1.000,00

A alta de 500 pontos favorece a posição comprada e multiplica-se pelos 2 contratos e pelo valor do ponto, resultando em crédito de R$ 1.000,00 na conta do investidor.

17. Um investidor vendeu 3 minicontratos de dólar a 5.200 e o ajuste saiu a 5.230. Com R$ 10,00 por ponto no mini, qual o resultado?

  1. Débito de R$ 900,00
  2. Crédito de R$ 900,00
  3. Débito de R$ 300,00
  4. Débito de R$ 90,00

A alta de 30 pontos prejudica quem está vendido: 30 pontos vezes R$ 10,00 vezes 3 contratos resultam em débito de R$ 900,00 no ajuste diário.

18. O contrato futuro de DI de um dia permite:

  1. negociar expectativa de taxa de juros para um vencimento
  2. comprar títulos públicos com liquidação diferida
  3. trocar taxa prefixada por pós-fixada com uma contraparte
  4. garantir a taxa Selic aplicada ao investidor

O DI futuro é o instrumento pelo qual o mercado forma a curva de juros brasileira, e sua cotação em taxa é a referência para precificar prefixados e derivativos de juros.

19. O titular de uma opção de compra adquire:

  1. a obrigação de depositar margem até o vencimento
  2. a obrigação de comprar o ativo no vencimento
  3. o direito de vender o ativo ao preço de exercício
  4. o direito de comprar o ativo ao preço de exercício

O titular paga prêmio e adquire direito, com perda limitada a esse valor; quem assume obrigação e deposita margem quando descoberto é o lançador.

20. O lançador de uma opção:

  1. recebe o prêmio e assume a obrigação
  2. paga prêmio e adquire direito de exercício
  3. não precisa depositar garantias em nenhuma hipótese
  4. pode cancelar a posição unilateralmente

A obrigação de entregar ou receber o ativo no exercício explica por que a câmara da B3 exige margem do lançador descoberto, cuja perda potencial não tem limite definido.

21. A opção de venda, ou put, dá ao titular:

  1. o direito de comprar o ativo ao preço de exercício
  2. o direito de vender o ativo ao preço de exercício
  3. a obrigação de vender o ativo no vencimento
  4. o direito de receber o prêmio na data de exercício

A put funciona como um seguro para quem detém o ativo, limitando a perda ao preço de exercício em troca do prêmio pago. Quem recebe prêmio é o lançador.

22. Uma opção de estilo europeu pode ser exercida:

  1. apenas na data de vencimento
  2. a qualquer momento até o vencimento
  3. apenas nos cinco dias úteis anteriores ao vencimento
  4. apenas se estiver dentro do dinheiro

A restrição temporal é a única diferença em relação ao estilo americano, que admite exercício a qualquer momento até o vencimento, e afeta o valor do prêmio.

23. Uma call está dentro do dinheiro quando:

  1. a volatilidade implícita supera a histórica
  2. o preço do ativo é inferior ao preço de exercício
  3. o prêmio pago é superior ao valor intrínseco
  4. o preço do ativo supera o preço de exercício

Nessa situação a opção tem valor intrínseco positivo, e o exercício faz sentido econômico; numa put, a lógica se inverte e o dinheiro está no preço do ativo abaixo do exercício.

24. O prêmio de uma opção é composto por:

  1. preço de exercício e taxa de juros
  2. valor intrínseco e valor tempo
  3. margem de garantia e corretagem
  4. volatilidade histórica e implícita

O valor intrínseco mede o ganho imediato do exercício, e o valor tempo remunera a possibilidade de o cenário melhorar até o vencimento, decaindo à medida que o prazo se encurta.

25. O valor tempo de uma opção tende a:

  1. diminuir à medida que o vencimento se aproxima
  2. aumentar linearmente até a data de exercício
  3. permanecer constante durante toda a vida da opção
  4. depender apenas do preço de exercício escolhido

A perda de valor tempo acelera nas semanas finais, fenômeno que penaliza o titular e favorece o lançador, e é medida pela grega conhecida como theta.

26. Aumento da volatilidade do ativo, mantidos os demais fatores, tende a:

  1. não afetar o preço das opções negociadas
  2. reduzir o prêmio das opções de compra
  3. reduzir o valor intrínseco das opções
  4. elevar o prêmio das opções

Maior dispersão esperada aumenta a chance de a opção terminar dentro do dinheiro, o que encarece tanto calls quanto puts — efeito medido pela grega vega.

27. Um investidor comprou uma call com exercício a R$ 30,00 pagando prêmio de R$ 2,00. A ação foi a R$ 35,00. Qual o resultado por ação?

  1. Lucro de R$ 5,00
  2. Lucro de R$ 3,00
  3. Prejuízo de R$ 2,00
  4. Lucro de R$ 7,00

O ganho no exercício é a diferença de R$ 5,00 entre o preço da ação e o de exercício, do qual se deduz o prêmio de R$ 2,00 pago na entrada.

28. O mesmo investidor, se a ação terminar a R$ 28,00, terá qual resultado?

  1. Prejuízo de R$ 4,00, somando prêmio e diferença de preço
  2. Prejuízo de R$ 2,00, limitado ao prêmio pago
  3. Lucro de R$ 2,00, pelo não exercício da opção
  4. Resultado nulo, pois a opção não foi exercida

A opção vira pó porque o exercício a R$ 30,00 seria pior que comprar a mercado, e a perda máxima do titular é sempre o prêmio desembolsado.

29. Um lançador coberto vendeu call de exercício R$ 50,00 recebendo prêmio de R$ 3,00, com ação comprada a R$ 47,00. Qual o ganho máximo?

  1. Ilimitado na alta
  2. R$ 3,00 por ação
  3. R$ 6,00 por ação
  4. R$ 50,00 por ação

Se a ação for exercida a R$ 50,00, o ganho soma R$ 3,00 de valorização com R$ 3,00 de prêmio, e a alta além disso deixa de beneficiar o lançador.

30. A operação de financiamento com opções consiste em:

  1. comprar a ação e lançar uma call coberta sobre ela
  2. comprar simultaneamente call e put de mesmo exercício
  3. vender a ação e comprar uma call sobre o mesmo papel
  4. lançar call e put descobertas no mesmo vencimento

O prêmio recebido funciona como remuneração da posição, ao custo de limitar o ganho ao preço de exercício. É a estratégia mais difundida entre investidores pessoa física no Brasil.

31. A trava de alta com calls é montada:

  1. comprando call de exercício menor e vendendo call de exercício maior
  2. comprando duas calls de exercícios diferentes
  3. vendendo call e comprando put de mesmo exercício
  4. comprando o ativo e vendendo contrato futuro

O prêmio recebido na ponta vendida reduz o custo da operação e, em contrapartida, limita o ganho à diferença entre os exercícios menos o custo líquido.

32. A trava de baixa com puts é montada:

  1. comprando duas puts de mesmo exercício
  2. comprando put e call de mesmo exercício
  3. vendendo o ativo a termo e comprando call
  4. comprando put de exercício maior e vendendo put de exercício menor

A estrutura ganha com a queda até o exercício da ponta vendida, e tanto o ganho quanto a perda ficam limitados, o que reduz a exigência de garantias.

33. A compra de put por quem detém a ação funciona como:

  1. seguro contra queda, ao custo do prêmio
  2. alavancagem da posição comprada
  3. garantia de rentabilidade mínima da carteira
  4. substituto do depósito de margem exigido

O piso de preço criado pela put protege a posição sem obrigar à venda do ativo, e o prêmio é o custo dessa proteção — analogia direta com uma apólice de seguro.

34. O lançamento de opções a descoberto exige:

  1. depósito de margem de garantia junto à câmara
  2. posse do ativo objeto em custódia
  3. autorização prévia da entidade administradora
  4. enquadramento como investidor profissional

Como a obrigação não está coberta pelo ativo, a câmara da B3 exige garantias proporcionais ao risco e pode chamar margem adicional quando a exposição aumenta.

35. O swap consiste na:

  1. padronização de contratos negociados em bolsa
  2. compra de ativo com liquidação futura
  3. aquisição de direito mediante pagamento de prêmio
  4. troca de fluxos financeiros entre duas partes

A operação define ponta ativa e ponta passiva, geralmente atreladas a indexadores distintos, e costuma ser registrada em sistema de balcão organizado.

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